A margarida sempre foi bonita, o problema é do seu lado habitavam as rosas, e quem é que compete com a flor dos amantes?
Oh pobre Margarida! Pense, que ela um dia se apaixonou pela jardineira, se achou no direito de acreditar que seria colhida por ela, que a cuidadora das flores a levaria para a casa, e que lá permaneceriam as duas. Porém não sabia a Margarida que a jardineira também era apaixonada, mas pelo jardim inteiro. A florzinha oferecia todas as suas pétalas, toda sua brancura e a alegria do seu amarelo. E não é que a moça do jardim aceitava? Aceitava sim, ia lá quase que todos os dias para ver a Margarida, pegava a pequena e lhe tirava pétala por pétala, a brincar de mal e bem me quer. Não importava se a desfolhava, o que servia mesmo era que a jardineira estava ali, perto da Margarida, e esta última sofria por lhe roubarem o que em si havia de mais bonito, porém continuava se doando sem pensar duas vezes, enquanto a jardineira se engraçava com as rosas, tão mais formosas, tão maiores, tão mais senhoras.
A florzinha chorava, prometia para si mesma que na outra manhã tudo seria diferente, e não daria suas folhas, que não iria sorrir, que nem sequer iria pensar na jardineira. E como conseguir tais se era a jardineira que lhe trazia a água para beber enquanto a chuva não vinha? Se era ela que preparava a terra?
Assim lado a lado prosseguiam as rosas e a Margarida, as primeiras eram sempre admiradas, eram sempre colhidas, eram sempre entregues como presentes das namoradas para as namoradas, dos namorados para os namorados, e dos namorados para as namoradas. E a Margarida inerte, presa naquele jardim, presa por vontade própria, tudo por causa do amor que continuava a alimentar pela que lhe cultivava.
O sonho da Margarida era apenas um, ser colhida, ser levada para a casa. E um dia para a sua felicidade isso aconteceu. A jardineira chegou pela manhã, apanhou a Margarida com cuidado e a levou para sua casa, a flor contente, foi rindo feito boba, ficou espantada com o ambiente fechado que encontrou e logo percebeu o que lhe esperava, no meio da mesa da sala havia um vaso com água onde foi depositada. As primeiras horas foi uma alegria só, mas depois começou o tormento, sentiu-se murchar, umas petalazinhas caiam de quando em quando, e a jardineira não mais olhava para ela, não mais brincava de mal e bem me quer.
E foi assim que a pobre Margarida foi morta pelo seu sonho, por realizá-lo. O jardim nunca mais ouviu falar da florzinha. Depois dela outras tantas vieram.
Será que vale a pena ser colhida? Ou melhor mesmo continuar como instrumento do jogo de quereres?
Oh pobre Margarida! Pense, que ela um dia se apaixonou pela jardineira, se achou no direito de acreditar que seria colhida por ela, que a cuidadora das flores a levaria para a casa, e que lá permaneceriam as duas. Porém não sabia a Margarida que a jardineira também era apaixonada, mas pelo jardim inteiro. A florzinha oferecia todas as suas pétalas, toda sua brancura e a alegria do seu amarelo. E não é que a moça do jardim aceitava? Aceitava sim, ia lá quase que todos os dias para ver a Margarida, pegava a pequena e lhe tirava pétala por pétala, a brincar de mal e bem me quer. Não importava se a desfolhava, o que servia mesmo era que a jardineira estava ali, perto da Margarida, e esta última sofria por lhe roubarem o que em si havia de mais bonito, porém continuava se doando sem pensar duas vezes, enquanto a jardineira se engraçava com as rosas, tão mais formosas, tão maiores, tão mais senhoras.
A florzinha chorava, prometia para si mesma que na outra manhã tudo seria diferente, e não daria suas folhas, que não iria sorrir, que nem sequer iria pensar na jardineira. E como conseguir tais se era a jardineira que lhe trazia a água para beber enquanto a chuva não vinha? Se era ela que preparava a terra?
Assim lado a lado prosseguiam as rosas e a Margarida, as primeiras eram sempre admiradas, eram sempre colhidas, eram sempre entregues como presentes das namoradas para as namoradas, dos namorados para os namorados, e dos namorados para as namoradas. E a Margarida inerte, presa naquele jardim, presa por vontade própria, tudo por causa do amor que continuava a alimentar pela que lhe cultivava.
O sonho da Margarida era apenas um, ser colhida, ser levada para a casa. E um dia para a sua felicidade isso aconteceu. A jardineira chegou pela manhã, apanhou a Margarida com cuidado e a levou para sua casa, a flor contente, foi rindo feito boba, ficou espantada com o ambiente fechado que encontrou e logo percebeu o que lhe esperava, no meio da mesa da sala havia um vaso com água onde foi depositada. As primeiras horas foi uma alegria só, mas depois começou o tormento, sentiu-se murchar, umas petalazinhas caiam de quando em quando, e a jardineira não mais olhava para ela, não mais brincava de mal e bem me quer.
E foi assim que a pobre Margarida foi morta pelo seu sonho, por realizá-lo. O jardim nunca mais ouviu falar da florzinha. Depois dela outras tantas vieram.
Será que vale a pena ser colhida? Ou melhor mesmo continuar como instrumento do jogo de quereres?

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