Os risos são altos, e ecoam no salão. Junto a tantas vozes a minha estava, e agora se calou. Me coloco no canto e vem a tal nostalgia, vem aquela saudade de quem, como diria uma amiga: nada se pode fazer a respeito senão sentir, chorar, sentir mais um pouco, e mais tarde se distrair com outra coisa. É aquele aperto, aquela falta de algo, duma presença que se afastou a tempos e não será substituída.
Até existem outros, mas esses outros não são ele. E sabendo que ele não voltará, fico nessas ridículas imaginações. De como seria, como estaria, qual altura, qual a voz. Sabendo que o tempo passou, e que fugiu com ele, ou melhor me roubou, e como nada tem de bobo tomou o que era de mais bonito. Tomou o riso alegre, a voz suave, o corpo ainda pequeno, os gestos tão infantes. Roubou o menino, que não era meu, mas que hoje percebo que tinha tanto de mim, como eu ainda tenho dele. Falta um pedaço. E na certeza de que ele não voltará é que busco reconstruir ao menos na memória o correr atrás de bola, as brigas, e também os momentos de ternura. Ahhhh menino levado, me derrubava nas cócegas, me roubava os desenhos na tentativa de guarda-los para si.
Eu queria de volta, eu queria os dias antes de 22 de julho de 2009! Eu queria aquele passado, eu queria aquela pessoa, eu queria o menino, eu queria o irmão, o companheiro de jogo, eu queria a criança, eu queria...
A festa segue, o volume das vozes só faz aumentar, e ninguém percebe que falta. Continuam a dançar, a cantar, a comer, e não percebem. Eles já se acostumaram! Mas o menino me falta, eu quero ele aqui como um moço, eu quero por que eu também era ele, e fui embora naquele dia, para não sei onde, e assim como ele uma parte de mim não voltou...
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